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Para se ter uma noção de informação magnocelular podemos olhar para estas grades em movimento ou…
…. para um foco de luz flicker. Ambos representam informação visual transitória, mudando rapidamente.
Cerca de 80% das fibras do nervo óptico são fibras parvocelulares. Elas transferem informação de pequenas células ganglionares da retina para pequenas células no corpo geniculado externo e daí para o córtex visual primário. Estas fibras são finas e têm, portanto, uma velocidade de transferência menor do que as fibras magnocelulares. Transportam toda a informação da cor e são eficazes na transferência de informação a preto e branco de alto contraste.
Os próximos dois slides representam algumas diferenças entre informação parvocelular e magnocelular. Pode observar que existe um pequeno ponto cinzento no canto superior direito e um sinal de stop no canto inferior esquerdo. Se olhar para o sinal de stop e contar até 5 devagar, o ponto cinzento desapareceu da margem em que era visualizado embora ainda lá esteja.
Se continuar a olhar para o sinal de stop, vai reparar no aparecimento de um ponto cintilante que não desaparece como o ponto cinzento que não treme. Pelo contrário, o ponto não intermitente aparece de vez em quando. O sistema visual é mais sensível à informação transitória, informação em movimento, do que à informação visual estática.
Esta imagem de Margaret Livingstone e David Hubel, publicada em 1988, representa as vias paralelas para a informação magnocelular e parvocelular, via corpo geniculado externo, para o córtex visual primário onde entram nas diferentes camadas corticais. Embora essa informação já seja conhecida há mais de vinte anos, só recentemente faz parte de exames clínicos. É importante considerar estas diferentes partes da via, porque as alterações na via magnocelular podem afectar apenas a visão de baixo contraste, a sensibilidade ao contraste. Se a sensibilidade ao contraste não for medida, as alterações na via magnocelular não são registadas, e a pessoa tanto pode ser diagnosticada como mantendo uma boa visão ou ser considerada neurótica. Por outro lado, pequenas mudanças no meio do campo visual podem causar perdas de acuidade visual sem grandes perdas de sensibilidade ao contraste.
Tendo em consideração o córtex visual primário há grupos de células (chamadas blobs) que são activadas pela informação da cor, outras que são activadas pela informação da forma (nas áreas interblob) e um terceiro tipo de grupo de células que são activadas pela informação visual em movimento. Do córtex visual primário a informação flui para váriás específicas do córtex visual, depois do que os seus diferentes componentes se juntam e são fundidos em funções visuais ainda mais diferenciadas, sendo percebida uma imagem.
Esta imagem simplificada do desenho anterior mostra as três áreas alvo da informação visual no córtex visual primário, “blobs” de células para a cor, áreas inter-“blobs” para a informação de forma e a camada para a informação relacionada com movimento.
A partir da área V1, a informação visual corre em todas as direcções. As duas principais direcções do fluxo designam-se por fluxo dorsal e ventral. O fluxo dorsal para cima até ao lobo parietal e daí para o lobo frontal e o fluxo ventral para baixo e para a frente até ao lobo inferotemporal, a parte inferior do lobo temporal.
Nestas duas vias principais, a informação magnocelular é dominante no fluxo dorsal ou parietal e a informação parvocelular domina no fluxo ventral ou inferotemporal. Existe uma comunicação eficaz entre as diferentes áreas visuais corticais e uma mistura dos diferentes tipos de informação visual para que, quando a imagem é finalmente formada, a sua forma, cor e movimento são visualizadas, fundidas numa imagem nítida.
Se as conexões entre os diferentes níveis de funções visuais superiores forem desenhadas como vemos as estruturas da cabeça, de lado, parecem-se com a imagem do slide 28. Mais uma vez, gostava de realçar as conexões eficazes entre as áreas corticais específicas que estão encarregues de mais de 30 sub-funções visuais. Nesta imagem existem apenas algumas linhas descrevendo as múltiplas conexões entre os diferentes grupos de células.
Na superfície do cérebro, as áreas corticais visuais estão ambas no lobo occipital, no temporal e no lobo parietal. Existem também áreas visuomotoras importantes no córtex frontal, designadas muitas vezes por campos frontais oculares. Com estes slides sobre a estrutura das vias visuais pretende-se criar um entendimento da multiplicidade de funções que precisamos observar e medir e não é só a acuidade visual. A partir do momento em que os danos cerebrais se tornaram uma causa comum da deficiência visual, precisamos desenvolver a avaliação e observação das funções visuais superiores, visão cognitiva ou percepção visual. A acuidade visual é uma de muitas funções visuais de reconhecimento.
Nas duas principais vias de informação visual a coordenação olho-mão e consciência espacial, são funções do fluxo dorsal, enquanto as numerosas funções de reconhecimento estão no fluxo ventral.
A todos os níveis de transferência e processamento das vias visuais há funções paralelas. Este facto é importante a ter em conta na avaliação do desempenho visual de uma criança para que se avalie cada função paralela em todos os níveis. Na retina sensorial temos células cone e células bastonete, as células para a visão diurna e nocturna. Da retina a informação é transferida através do fluxo parvocelular e magnocelular para a via retinocalcarina e tectal do córtex cerebral onde se espalha no fluxo dorsal e ventral para as funções corticais. A informação analisada corticalmente é também usada nas funções subcorticais.
Quando se inicia uma avaliação, em primeiro lugar recolhe-se toda a informação clínica disponível. Oftalmologistas, Optometristas, Terapeutas de baixa visão, outros terapeutas e Neuropediatras, reportam ao Pediatra da criança que funciona como coordenador dos serviços. Nos relatórios dos Oftalmologistas as constatações mais importantes são a descrição das alterações anatómicas ou malformações, a refracção e – no caso de terem sido prescritos óculos – os seus valores e a que distância tornam a imagem mais nítida. Se as lentes estão hiper ou hipo corrigidas, é necessário uma descrição do porque foi feita e a que distância a imagem é mais clara com aquela correcção. Isto é especialmente importante se uma criança for afáquica (não tiver cristalino), porque sem cristalino o olho não pode focar a imagem da mesma maneira que um olho normal. As crianças que não acomodam, precisam de ter uma correcção de perto, lentes de leitura. Estas lentes turvam a imagem ao longe, o que precisa ser conhecido por todas as pessoas que tomam conta da criança. Poucas crianças com deficiência visual são totalmente binoculares. Muitas crianças têm estrabismo e aquelas cujos olhos são ortofóricos, olhos direitos, podem ter qualidades diferentes da imagem central no olho esquerdo e no direito e, por isso, não desenvolvem a binoculariedade. Se uma criança desenvolveu uma visão binocular antes da visão ser afectada poderá haver binoculariedade de variados graus.
Na avaliação temos de considerar o uso da visão em todas as áreas de desenvolvimento. Durante os anos pré-escolares estas funções são as mais importantes a considerar: comunicação e interacção, funções motoras, conceitos espaciais e orientação no espaço, permanência do objecto e linguagem. Precisamos de questionar:
A educação especial começa na idade zero e não na idade escolar.
Esta imagem do livro de Anne Nafstad e Inger Roedbroe representa a interacção precoce como uma forte interacção visual entre mãe e filho
A comunicação visual é igualmente importante entre pai e filho
![]() (Video) Com 6 semanas de idade o bebé consegue interagir com ambos os pais ao mesmo tempo e usa vocalizações com nítidas variações na entoação (pausa para ouvir música). Não há dúvida de que é importante a visão na interacção precoce entre esta criança e os seus pais.
Nessa idade podemos avaliar grosseiramente a qualidade da imagem ao medirmos a acuidade de resolução e a sensibilidade ao contraste. |